
A Deusa Iemanjá rege a mudança rítmica de toda a vida por estar ligada diretamente ao elemento água. É Iemanjá quem preside todos os rituais do nascimento e à volta as origens, que é a morte. Ela está ainda ligada ao movimento que caracteriza as mudanças, à expansão e ao desenvolvimento.
É ela, como a Deusa Ártemis, o arquétipo responsável pela identificação que as mulheres experimentam de si mesmas e que as definem individualmente.
Iemanjá quando dança, corta o ar com uma espada na mão. Esse corte é um ato psíquico que conduz a individualização, pois Iemanjá separa o que deve ser separado, deixando somente o que é necessário para que se apresente a individualidade.
A espada de IEMANJÁ, portanto, é um símbolo de poder cortante que permite a discriminação ordenativa, mas que também pode levar ao seu abraço de sereia, à regressão e à morte.
Em sua dança, Iemanjá coloca a mão na cabeça, um ato indicativo de sua individualidade e por isso, é chamada de "Yá Ori", ou "Mãe de Cabeça". Depois ela toca a nuca com a mão esquerda e a testa com a mão direita. A nuca é símbolo do passado, do inconsciente de onde todos nós viemos. A testa, está ligada ao futuro, ao consciente e à individualidade.
A dança de Iemanjá pode ser percebida como uma representação mítica da origem da humanidade, do seu passado, do seu futuro e da sua individualização consciente. É essa união antagônica que nos capacita a vivermos o "aqui" e o "agora", pois sem "passado", não temos o "presente" e sem a continuidade do presente, não teremos "futuro". A dança de IEMANJÁ sugere ainda que a totalidade está na união dos opostos do consciente com o inconsciente e dos aspectos masculinos com os femininos.
Como Deusa Lunar, Iemanjá tem como principal característica a "mudança". Ela nos ensina, que para todas as mulheres, o caráter cíclico da vida é a coisa mais natural, embora seja incompreendido pelos homens.
A natureza da mulher é impessoal e inerente a ela como um ser feminino e se altera com os ciclos da lua: fase crescente, cheia, meia-fase até a lua obscura. Essas mudanças não só se refletem nas marés, mas também mensalmente no ciclo menstrual das mulheres, produzindo um ritmo complexo e difícil de entender. A vida física e psíquica de toda mulher é afetada pela revolução da lua, e a compreensão desse fenômeno nos permite o conhecimento de nossa real natureza instintiva. Tendo esse conhecimento, todos nós mulheres e homens poderemos domesticar com o esforço consciente as inclinações cíclicas que se operam no nível do inconsciente e assim poderemos nos tornar independentes ou não tão dependentes desses aspectos escondidos da nossa natureza semelhante à lua, ou seja em constante mudança.
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